Existe uma ideia particularmente estranha escondida dentro da literatura moderna: a ideia de que aquilo que escrevemos pode, de algum modo, deixar de pertencer a nós.
Durante muito tempo, a figura do autor pareceu funcionar como uma espécie de garantia. Saber quem escreveu determinada obra significava saber de onde ela vinha, qual intenção deveria ser procurada e, talvez mais importante, qual significado deveria ser encontrado.
O AUTOR COMO GARANTIA
A morte do autor, entretanto, não significa simplesmente que escritores deixaram de existir. A afirmação é muito mais radical do que isso.
A obra não termina quando o autor coloca o ponto final.
Quando um texto entra no mundo, ele começa a estabelecer relações que não podem mais ser completamente controladas por aquele que o produziu.
Talvez escrever seja justamente isso: construir alguma coisa que, depois de terminada, começa a existir sem nós.